Esporão e movimentos unidirecionais

Informação e conteúdo a internet está cheia... sei disso. Mas achei essa ilustração do Thomas W. Myers tão didática que decidi compartilhar... Então, cá estamos, para entender um pouco mais sobre a formação da osteofitose calcânea, mais conhecida como esporão do calcanhar - que é um crescimento ósseo no calcâneo que pode ou não causar dor.

Para facilitar a compreensão da leitura:

#PERIÓSTEO: é um tecido conjuntivo que reveste o osso. Uma espécie de película plástica. É no periósteo que se inserem, por exemplo, os tendões dos músculos, ligamentos e nesse caso, a fáscia plantar.

#OSTEOBLASTOS: são células que “produzem osso”. Presentes na maior parte das vezes entre o osso e o periósteo. São responsáveis pela manutenção da superfície do osso e devem sempre preencher o espaço entre o periósteo e o osso.

Algumas pessoas acabam colocando muita tensão na sola do pé, gerando uma sobrecarga excessiva da fáscia plantar. Essa fáscia, inserida no periósteo do calcâneo, tensiona o respectivo tecido para longe do osso, criando espaço para os osteoblastos formarem esse crescimento ósseo - o esporão.

As causas desse problema podem ser várias. Me limito aqui a citar a principal causa de ordem mecânica: a falta de movimento - que traz como consequência a perda da capacidade de adaptação do tecido, gerando enrijecimento e encurtamento causando assim essa tensão excessiva sobre o periósteo e consequentemente, o surgimento do esporão.

Quando digo falta de movimento, estou me referindo a propriedade de deslocar-se para todas as direções, de diferentes maneiras. Caminhar, correr e pedalar são atividades cíclicas que limitam o movimento a um único plano, deixando as estruturas envolvidas nessa atividade reforçadas e viciadas a funcionarem apenas naqueles ângulos com aquela determinada amplitude. Não significa que não são bons exercícios, mas definitivamente não são suficientes - claro, se o objetivo do indivíduo for se exercitar de modo integrado e equilibrado. Daí a importância de escolher atividades que possibilitem ao praticante "sair da caixa" do plano sagital (que é o plano que compõe nossa vida diária ou seja, deslocar-se para frente) oferecendo assim, verdadeira autonomia.

A boa notícia é que o problema pode ser facilmente resolvido com exercício. Para isso, é preciso devolver aos tecidos envolvidos a capacidade de adaptação: produção de movimento-estabilidade, força-flexibilidade necessárias. Mas é importante entender que essa manutenção precisa ser contínua, uma vez que o esporão já foi construído. Assim, a liberação dos tecidos poderá, na maioria dos casos, acabar com a dor.

Para quem tem ou não tem esporão, está aí mais um bom motivo para também treinar os pés – descalços, claro!

Fáscia plantar gerando distanciamento do periósteo, abrindo espaço para produção de osteófito.

REFERENCIA: MYERS THOMAS, W. - Trilhos anatômicos. São Paulo: Manoel, 2003.

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