Treinar descalço? Sim, a maioria das vezes.


Há algum tempo atrás, ainda atuando como professora de pilates de solo para grupos, sugeri que alguns alunos procurassem mais alternativas de exercícios físicos, além das aulas de pilates que faziam duas vezes por semana. A ideia era escolher e conhecer outras atividades e movimentar o corpo através de práticas diferentes, mais vezes por semana.

Uma semana depois, uma aluna voltou contando a experiência que tivera em uma das aulas que indiquei. Ao chegar na aula, na época, aula de treinamento funcional, se apresentou à professora – uma colega minha de trabalho – dizendo a ela que fazia pilates comigo e em seguida, perguntou se era necessário tirar o tênis para fazer aquela aula. Para minha surpresa, a resposta foi alguma coisa do tipo “Não. Aqui não precisa tirar o tênis. A Lizis é natureba e por isso as aulas dela são feitas descalça. ”

Essa resposta realmente me intrigou e me fez refletir sobre os diferentes objetivos que as pessoas buscam a prática de exercícios físicos e o que o profissional de educação física pode oferecer além dos objetivos triviais.

Claro, se professor e aluno tem como objetivo o desenvolvimento básico de capacidades físicas como força e flexibilidade ou como se ouve muito nos dias de hoje: condicionamento físico e até mesmo queimar calorias para emagrecer – então, tirar o tênis para fazer aula realmente parece ser uma atitude natureba, ou ainda, de gente inventando moda.

Mas sabe, gosto de pensar que o exercício físico pode – e na minha opinião, deve – oferecer muito mais. Penso em um corpo preparado para todas as situações do dia -a -dia. Em primeiro lugar sem dor, com consciência de como se posiciona no trabalho, para evitar as longas horas numa mesma posição, preparado para tirar férias e pegar aquela mala de 30kg da esteira sem travar as costas, fazer aquela trilha inesperada, cheia de desníveis sem sentir dor no joelho e mesmo se torcer o pé, não ter consequências graves como a ruptura de algum ligamento. Um indivíduo que saiba o que fazer e como fazer caso aquela velha dor volte. E principalmente – um aluno que sinta falta de se movimentar com qualidade e com frequência, quando por algum motivo, tiver que parar de fazer exercícios físicos.

Então, tirar o sapato dos alunos na aula dá trabalho - para o professor e para o aluno. Pois além de todas as orientações básicas inerentes ao exercício, haverá também a preocupação com a flexibilidade, força, coordenação e equilíbrio das estruturas do pé e tornozelo para configuração de um movimento global, integrado e eficiente.

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